sábado, janeiro 17, 2015

Sinopse + Cena 1.1: Caminhos & Corações

NOTA: Tem não muitas cenas e vai demorar para elas chegarem dentro da história, mas não para menores. +17.

Poliamor é o relacionamento consentido ou o desejo de ter um simultaneamente entre mais de dois parceiros íntimos, que pode ou não envolver sexo. Geralmente, essa possibilidade pode não estar na mente de muitos por mais se enxergar “relacionamento” como um laço entre duas pessoas e que mais de um parceiro pode ser considerado traição ou uma relação fora da considerada “oficial”.
No entanto, esse não é o caso de Francisca que cursa a universidade em seu segundo período. A relação dela com os vizinhos de condomínio e primos de segundo grau Rogério, um rapaz dois anos mais novo que ela, e Judite, uma moça três anos mais velha que ela, começou como um ménage à trois (relacionamento sexual entre três pessoas) e se estendeu gradualmente a um triângulo amoroso mútuo entre as três partes.
Depois de meio ano com o relacionamento já estabelecido, Francisca ainda pensa em como declarar o relacionamento com as pessoas fora de sua confidência (seu vizinho Tomás e sua melhor amiga Leandra), como seus pais e o restante de seus amigos, como também lidar com os planos ao futuro que envolvem o trio e os próprios dela.

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ELENCO PRINCIPAL
Francisca - protagonista
Leandra - amiga de Francisca e colega de trabalho.
Tomás - vizinho de Francisca;
Vírginio - amigo de Francisca desde o colegial;
Valter - irmão de Vírginio, tem uma queda por Francisca.
Judite - relacionada com Francisca e Rogério.
Rogério - relacionado com Judite e Francisca
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CENA 1.1

- Alguma coisa me diz que hoje vai ter guerra. - é o que Tomás diz quando passamos para dentro da festa, mas ele consegue perceber que o olho em advertência - Pelo menos… A gente conseguiu que seus pais não viessem para cá.

Mesmo com ele me assegurando que não tem como meus pais virem para onde estamos, na quadra poliesportiva do condomínio em que nós dois moramos, ainda não consigo esquecer de outro detalhe. É o mesmo detalhe pelo qual não quero chamar muita atenção e tentando no meu máximo evitar confusão entre três grupos: Primeiro, os meus pais, pessoas que acham que meu relacionamento é com alguém x e que ficam na expectativa de ser um “garoto de boa família”. Segundo, pessoas até então não totalmente cientes sobre minha vida amorosa como também um garoto que disse que gosta de mim. Terceiro, as duas pessoas com quem estou me relacionando.

E sim, são duas pessoas. Um relacionamento não separado, mas em trio. Antes, em minha visão de romance, isso nunca passou pela minha cabeça, mas agora que aconteceu… E Tomás e Leandra são duas pessoas que sabem mais ou menos o porquê de eu querer evitar confrontos no condomínio. As pessoas com quem me relaciono são deste lugar e moram juntos. E, não sei porquê, Tomás convidou Leandra, nosso amigo Vírginio e seu irmão, como também alguém interessado em mim, Valter.

- Você tinha que ter convidado eles todos - falo ríspida - Não que me incomodo com Leandra vindo ou Vírginio, mas você sabe que se você fazer um convite para Vírginio na frente do Valter…

- Eu tinha me esquecido que seus dois namorados moram aqui, desculpa - ele fala com sarcasmo, revirando os olhos e jogando a bola de basquete no chão - Mas eu não achei que eles iriam vir… Na última vez que a gente viu eles em uma festa, não era uma festa… Tipo assim… Mais ou menos formal.

Eu pego a bola de basquete e a seguro entre minhas mãos.
- Mais ou menos formal? - eu olho ela e a bato um pouco, com o cuidado pra ela não sair da minha mão.

- Por favor, Francisca, eles estavam - e aproveitando estar perto de mim, ele falou baixinho - quase se fodendo - e volta ao tom normal - em estilo de uma festa mais liberal e a gente tá entre famílias com crianças agora.

- E o que impede deles de repente deles virem aqui? - faço uma careta por ouvir ele falar aquilo de forma tão direta, antes de começar a rir incrédula  - Tipo, eles não fazem isso o tempo todo, eles tem uma vida social fora disso, eles possuem amigos também e…

Com uma expressão facial de quem não acredita muito no que ouve, ele me corta:

- E quase todo mundo do condomínio ainda não sabe como eles ainda não foram expulsos. Vai ver... a família deles tem uns superpoderes financeiros pra persuadir uma quase imunidade. - não consigo arriscar um contra-ponto, como é algo imbatível: eu também me pergunto isso - E alguém fora eu ou a Leandra sabe sobre você se relacionar com eles?

- Não - resposta rápida e curta, no entanto me pergunto até quando vou conseguir manter o número de pessoas - Mas eu acho que eles…

Vejo que a cara de Tomás se altera para uma inquisitiva, mas outra voz me chama a atenção:

- Meninos!

Acho que meu coração pulou de susto: estamos longe do montinho de gente que chegou até agora, que são nossos vizinhos, e que já preparam o churrasco farto e o resto da comida enquanto trajados de roupas de banho, mas isso não significa que eles não podem escutar o que estamos falando. A sorte nossa é que, pelo que eu vi ao virar minha cabeça em pânico, era só a Senhora Duarte acenando para nós de dentro da piscina com sua costumeira voz alta.

- A água está uma delícia! Por quê não largam a bola um pouquinho e vão nadar, hein? - ela exclamou com uma energia fenomenal para seus 75 anos de vida.

Eu e Tomás nos encaramos com olhares de quem não sabe o que fazer. Eu, com meu maiô azul, e ele, com bermuda de banho roxo. Tínhamos nos arrumado com aquelas roupas, mas não sabemos se vamos continuar a ficar aqui por segurança ou se vamos nadar. Há um pequeno detalhe de nada que é eu não saber nadar, mas…

- Francisca…? - meu vizinho me encara em preocupação - Você tá tremendo.

Droga, quem quero enganar? Eu só uso a piscina se eu tiver algo para me apoiar para boiar, porquê se eu não tiver eu...

- Ah, é só frio - mas daí meu corpo me trai me fazendo rir, mas rir muito nervoso.

- Pera aí - ele cruzou os braços com um olhar desconfiado - Isso não é por você não saber nadar, é?

Não quero responder essa parte, então só lanço minha atenção pra o lado e falo:

- Acho que a gente pode ficar por aqui um tempo… Nem jogamos muito, né?

- Mas por quê você veio de roupa de banho? - ele faz um sinal negativo com a cabeça e coloca uma de suas mãos no meu ombro - A gente ficou por aqui desde que viemos, de acordo com nosso combinado… Mas se a gente ficar aqui… O tempo todo…  e digo o tempo todo mesmo… - ele olha para a churrasqueira - Esse povo aí vai estranhar que a gente tem alguma coisa.

Eu demoro um tempo pra olhar ele. E depois a mão no meu ombro. E demoro na mão até soltar, afastar e replicar:

- Aí, se você continuar a falar assim, é aí que eles vão achar mesmo que a gente tem alguma coisa.

- O quê? - ele parece dizer “eca” - Isso nunca ia acontecer. A gente não combina.

- Só que eles ali, o pessoal mais velho, podem pensar bem diferente.

Ele abre a boca para falar, mas não consegue exprimir nada. Ele fecha e torce os lábios, respira fundo, joga um pouco do ar pra fora e atira:

- Tudo bem, só que você vai ou não pra a piscina?
Ainda sinto a bola de basquete em minhas mãos e não é uma sensação nova dos dias de hoje, ainda que isso seja mais seguro do que a sensação de entrar na piscina. Mas Tomás parece estar certo ao falar que as pessoas na churrasqueira podem mal interpretar o que estamos fazendo: agora, observando pelo canto do olho, noto que de vez em quando aqueles adultos ficam encarando a gente de maneira hipoteticamente disfarçada. E estamos aqui não sei há quantos minutos…

- Acho que ficar um pouco na água não faz mal. - deixo a bola cair no chão, tentando manter meu pensamento otimista.

Tomás me passa um sorriso de aprovação e pisca um olho:

- Menos mal. Eu já tava me preparando pra a gente dar um pulo na piscina.

Ainda atrás dele, fico chocada com a insinuação. “Ele ia me levar à piscina pela força?”, penso e então estreito meus olhos na direção dele, com a intenção de ser bem acusativa.

- Se você fizer isso, você vai levar um tapa bem dado.

Ele faz uma careta do tipo “eu mereço”, desvia os olhos para o alto, faz movimentos circulares com os ombros e depois com o pescoço para só então rolar os olhos e dizer:

- Relaxa aí essa tua ira, rapaz. - e foi correndo na direção da Senhora Duarte, que fazia acenos histéricos na nossa direção e acompanhada de seus quatro netos pequenos.

(CONTINUA)

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