domingo, julho 14, 2013

Sorria! - Capítulo Um



Para aqueles que se interessaram em acompanhar Lílian e a história dela em Sorria, aqui está o primeiro capítulo ~ Por enquanto, temos uma breve apresentação de alguns dos personagens que serão importantes para a trama. Entre eles, os amigos de Lílian, a própria Margarida, os amigos de Margarida e os outros :)
Espero que gostem ;)
 Capítulo Um (incompleto)

— Lílian, você jura que esse treco fica legal no meu cabelo? — Rosa demanda com um olhar áspero, os braços cruzados sob seu busto enquanto colocava sua cabeça dura de um lado para outro.
Eu a paro de se mover, pelo bem do bom acabamento.
— Espera um minuto. — alerto séria com o grampo preso entre meus dentes. — Você tem que confiar em mim, poxa. Tá ficando bacana.
Fazia a última trança, uma fina e com uma mecha verde postiça entrelaçada nela, e a enrolava entre o coque que havia feito bem no alto.  Não quero desfazer as tranças menores (e também a mais grossa) já feitas, cuido para inserir a nova. Prendo o grampo para firmar o penteado, fora um pouco de gel para ajudar nisso e...
— Eureka! — digo extasiada para mim, sentindo meus lábios se alargarem em um sorriso bobo. — Meu lindo bebê está pronto para desfilar pelo mundo... Eu sou mesmo um gênio!
 O quê?! — Rosa faz o escândalo e logo ela tira o espelhinho da minha carteira para se admirar. — Peço para você fazer algo no meu cabelo e você resolve fazer um bebê?
— Relaxa, você não está grávida. Não me culpe pelo seu cabelo ser gatinho, Rô. — encaixo-me de novo na cadeira, distraída com a visão de minha obra-prima.
E então sinto algo bater no meu ombro e ser jogado ao chão.
— Au. — resmunguei baixo, massageando o lugar ferido.
— Suas lésbicas, vocês não estão sozinhas no mundo para declarem seu amor. — escuto a voz de Barnabé gargalhar ao nosso lado, brincando com o momento muito heteroafetivo da minha amizade com Rosa. — A gente também existe por aqui.
Pestanejo, processando o que ocorreu ainda sem o olhar, e baixo meus olhos para encontrar uma caixinha de chicletes próximo de uma das pernas metálicas da minha carteira.
— Valeu, mas prefiro ser casada com o cabelo da Rosa do que entrar em um relacionamento complicado com vocês dois. — agradeço baixo antes de me agachar para apanhar o doce, sentindo olhares discretos de fora do nosso círculo de amigos, e volto para meu lugar.
Ouço Barnabé murmurar algo como “que sem graça” quando Tulipa anuncia:
— Alguém tem sinal do professor? Faz um tempo que ele não voltou da sala do segundo ano.
Eu acho que alguma coisa deve ter ocorrido no caminho. — escuto Rosa opinar. — Tá acontecendo um evento lá no teatro. Não é de se esperar que ele nos abandone um pouco.
Batucando animada os nós dos polegares na carteira, canto baixinho alguma canção dos discos de orquestra do meu pai. Logo dou agora uma espiada na nossa sala, outra desde vinte e cinco minutos atrás.
Eu e meus amigos ficamos na parte do meio da área; alguns de nós (como a mim) somos colados à essa parede fria. Destes lugares, pode-se ter uma boa visão quanto ao resto da turma.
Em comparação com a fama de comportados de muitas classes do terceiro ano, poxa, a minha é o Apocalipse com uma trilha sonora de violino e gritos de mulheres.
— Tudo foi culpa do juiz ladrão, isso posso assegurar. Não posso acreditar que meu time teve que perder por conta daqueles cartões do nada...! — um menino enorme resmunga depois da descrição do jogo feita por uma garota com o relógio do time de futebol rival.
— Até parece que ele roubou, sabichão. — um garoto de óculos e cabelos cacheados rebateu ao bufar desacreditado. — Aquilo tinha que acontecer... Você mesmo sabe como é o perfil daquele atacante...
— Um de vocês já percebeu que os dois times da partida já foram para as semi-finais? — a única menina passou a mão na face, meneando desapontada. — Vamô parar com isso, ô.
Em um canto, tem um grupo de garotos discutindo sobre o jogo de futebol de seus dois times entre os preferidos.
— Esse seu namorado é tolinho, tolinho. — é difícil de distinguir a voz entre a multidão, mas posso observar os lábios da garota falando enquanto tecla no touch screen com a aparente melhor amiga.
Há, na frente e na parte central desta lugar, duas meninas conversando com seus amigos no Facebook no celular.
— Não sei, será que dá para a gente alugar aquela área parque por um tempo? — Um rapaz, moreno e um pouco acima do peso, sugere.

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