domingo, julho 14, 2013

ESPECIAL (Genderbent): Batida Cardíaca




Imagem de uma cena do mangá Hana no Miyako De de Takarai Rihito :)
Genderbent: Quando as pessoas costumam imaginar como seria um determinado casal fictício ou um personagem com o gênero 'trocado' (por exemplo, um personagem é feminino e você imagina como seria a 'contraparte' masculina e dá um nome). Como, na minha mente, há diversos universos onde determinada criação minha tem 'uma versão', podemos dizer que seria possível na minha imaginação xD
No caso aqui, seria a minha imaginação sobre como seria se 'Lílian' e 'Margarida' de (Sorria) fossem garotos em uma outra dimensão onde a história entre os personagens seria bem semelhante (não exatamente igual pela influência dos gêneros diferentes e também por todo mundo ter que adivinhar a história). Por serem um casal de garotos no sentido romântico nesse outro universo, já categorizo como sendo Boy's Love por ser semelhante a certas histórias que as pessoas veriam por alguns mangás ou fanfictions ou até livros.
Bom, vamos com a sinopse? =)
 A história conta um recorte do relacionamento que existe entre o afável Nelson Lobato e o devoto Quintana Fostes, desde o começo dos laços entre ambos ainda quando crianças até alguns desentendimentos por conta de intervenções de outras pessoas. Isto até chegarem, no tempo atual da narrativa, a um status oficial de namorados.
Ambos são pessoas excêntricas em alguns aspectos. Nelson, por causa de sua afeição por cabelos que o faz ter hobbies ocasionais de cabeleireiro e ser algumas vezes denso. E Quintana, por este não sentir muita vergonha em expressar suas intenções de forma direta ou a sua afeição por Nelson, além de muitas vezes parecer 'uma fera sob a pele de um príncipe'. Pessoas, como os amigos dos dois, estranham como podem estar juntos e combinarem bem.
Talvez, isto não seja a fórmula do amor?


 BATIDA CARDÍACA (ainda a completar) - CAPÍTULO ÚNICO
dedicado à Dona Analice :)

— Algumas vezes, na vida — digo enquanto passo minhas mãos pelos cabelos loiros dele. — acho que a gente acaba temendo namorar alguém rico e famoso.
— Por quê? — ele retira seus olhos da revista de moda masculina. — Sente remorso?
— Bem, não sou eu quem escolhe quem amo. — respondo. — E não me arrependo...
— Ah, isso é bom. — Quintana me encara com seus olhos azuis. — Você sabe que não reagiria bem se você pensasse em desistir, não sabe, Nelson?
Sorrio amarelo.
— Claro que sei. — eu me sinto congelar um pouco, antes de suspirar e continuar a estocar as mechas dele. — Você já sente ciúme o suficiente do cabelo dos outros.
Estamos no quintal da casa dele. Se podemos chamar isso de quintal. Ou se podemos chamar isso de casa. Está mais para uma “casa de praia dentro de uma floresta que fica dentro de uma mansão”. Para explicar esse fenômeno, os pais dele são estupidamente ricos. E isso favoreceu para que aqui tivesse algumas cadeiras coloridas de praia onde o corpo desse garoto pudesse relaxar. Como deitar, para mim, é sinônimo de literalmente dormir, acabei sentando nesta tora de tronco a centímetros de Quintana.
O resultado foi que acabei acariciando os cabelos dele. O rosto. O topo da cabeça.
Não é somente por só carinho de mais-do-que-amigo. Além do fato de ser uma das áreas sensíveis dele, também é por conta de uma espécie de afeição que tenho por cabelos de pessoas. Tenho um encanto especial por eles. Embora eu e Quintana realmente gostemos um do outro a ponto de recebemos o título de ‘namorados’, o motivo de ter me apaixonado por ele não é pelo cabelo. Mas de vez em quando banco o cabeleireiro pessoal dele quando sente necessidade.
E é por causa de cabelos que entro ocasionalmente em confusões.
Quando havia dito “Você já sente ciúme o suficiente do cabelo dos outros”, não estava brincando. Quintana, apesar de ter uma aparência bem apresentável e deter quase tudo o que as pessoas conseguem trabalhando em 100 anos, é uma pessoa um tanto impaciente quanto a certas coisas. Ou, como poderia dizer, necessidades. Uma delas, senão a principal, é a de manter o foco de minhas atenções em boa parte nele.
Não é alguém que vai a uma briga direta por causa disso ou que não saiba se controlar um pouco, mas não posso assegurar que ele não possa ser possessivo quando os nervos pegam a paciência dele. Algumas dessas situações terminaram conosco dividindo uma cama e um lençol, nus depois de algumas horas de um tipo de sexo que faz muito barulho. É engraçado que depois disso, há aquela calma que o faz parecer em paz quando dorme.
Certas vezes, meus amigos me perguntam “Como vocês dois ainda estão juntos?”. Não que não gostariam de nos ver felizes ou até juntos, mas estranham que a nossa combinação de personalidades pode se encaixar em um relacionamento estável. Até eu e Quintana não sabemos como isso trabalha.
Aos olhos dos conhecidos, ele se parece com alguém de apetite grande quanto a afinidade e determinado em alcançar o que quiser. O que, bom, ele é também. Quanto a mim, tento me manter tranquilo e sou meio desajeitado, mas esforçado. Para mim, estar perto da pessoa que gosto é o bastante. Mais do que isso, me deixa com a sensação de que parece um sonho. Só que para ele, ‘estar perto’ pode não ser o bastante.
Talvez seja por esse cara ter esperado por um longo tempo para me ver.
Quando era criança, lembro-me de ter conhecido um tal de ‘Kit’. Era um garotinho que as meninas deliravam por conta de suas roupas lembrarem uma fantasia de príncipe moderno. Como não bastasse ter sua pequena legião de tietes, ainda havia sua tiete-mor: sua mãe. Não sei quantas fotos essa mulher tem de todas as fases da vida dele e de todos os amigos que o guri teve.
“A mãe dele deve ser doida”, um menino disse, no último ano do primário, quando abríamos nossa lancheira no refeitório espaçoso, “quem traz xícaras para a escola?”
“Ué, mas eu trago uma caneca pra a escola”, mostrei a minha com o desenho do Homem-Aranha. “Não vejo nada demais trazer uma ‘xícaras’ pra a escola”
“Não, você não tá entendendo”, Tomáz, meu melhor amigo desde aquela época, moveu minha cabeça pra uma direção, “Parece até chazinho de menina”
Não sei se seria certo ‘chazinho de menina’. Mas parecia ser um ‘chazinho de vovó’.
Em uma mesa distante, lá ele se encontrava. Usava uma camisa formal, uma calça formal e sapatos de couro. Pareceria um projeto de gente grande se não fosse as cores neutras, o blazer que geralmente deixava na cadeira e também os cabelos arrumados. Estava sozinho, sob o holofote das garotas da sala. Havia duas xícaras em cima de um pano rendado que fora posto ali, além de um pequeno bule e uma caixa com biscoitos com gotas de chocolate.
Senti mal pelos outros estarem falando coisas dele, apesar das poucas interações que ele pareceu dar outra importância com os outros da classe. Embora indiferente, raramente saiu da educação ou de dar um sorriso ‘cartão de visita’ pra quem o cumprimentasse. Fora isso, conhecia uns casos de pessoas que eram criados pelos seus avós e eram absurdamente formais com todo mundo. Então, não achei que deveria julgá-lo.
“Ah, deixa ele”, tentei convencer meu amigo, quem esperava pela minha opinião, “E daí que ele tem xícaras e...”
“Chá”, Tomáz disse após uns segundos farejando o ar, “e cheiro canela também”
“Tá”, eu disse após me recompor, “Mas ele não deve mau”
“Ele não ser mau... Aí posso achar que é verdade”,

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