Genderbent: Quando as pessoas costumam imaginar como seria um determinado casal fictício ou um personagem com o gênero 'trocado' (por exemplo, um personagem é feminino e você imagina como seria a 'contraparte' masculina e dá um nome). Como, na minha mente, há diversos universos onde determinada criação minha tem 'uma versão', podemos dizer que seria possível na minha imaginação xD
No caso aqui, seria a minha imaginação sobre como seria se 'Lílian' e 'Margarida' de (Sorria) fossem garotos em uma outra dimensão onde a história entre os personagens seria bem semelhante (não exatamente igual pela influência dos gêneros diferentes e também por todo mundo ter que adivinhar a história). Por serem um casal de garotos no sentido romântico nesse outro universo, já categorizo como sendo Boy's Love por ser semelhante a certas histórias que as pessoas veriam por alguns mangás ou fanfictions ou até livros.
Bom, vamos com a sinopse? =)
A história conta um recorte do relacionamento que existe entre o afável Nelson Lobato e o devoto Quintana Fostes, desde o começo dos laços entre ambos ainda quando crianças até alguns desentendimentos por conta de intervenções de outras pessoas. Isto até chegarem, no tempo atual da narrativa, a um status oficial de namorados.
Ambos são pessoas excêntricas em alguns aspectos. Nelson, por causa de sua afeição por cabelos que o faz ter hobbies ocasionais de cabeleireiro e ser algumas vezes denso. E Quintana, por este não sentir muita vergonha em expressar suas intenções de forma direta ou a sua afeição por Nelson, além de muitas vezes parecer 'uma fera sob a pele de um príncipe'. Pessoas, como os amigos dos dois, estranham como podem estar juntos e combinarem bem.
Talvez, isto não seja a fórmula do amor?
BATIDA CARDÍACA (ainda a completar) - CAPÍTULO ÚNICO
dedicado à Dona Analice :)
dedicado à Dona Analice :)
— Algumas vezes, na vida — digo
enquanto passo minhas mãos pelos cabelos loiros dele. — acho que a gente acaba
temendo namorar alguém rico e famoso.
— Por quê? — ele retira seus olhos da
revista de moda masculina. — Sente remorso?
— Bem, não sou eu quem escolhe quem
amo. — respondo. — E não me arrependo...
— Ah, isso é bom. — Quintana me encara
com seus olhos azuis. — Você sabe que não reagiria bem se você pensasse em
desistir, não sabe, Nelson?
Sorrio amarelo.
— Claro que sei. — eu me sinto
congelar um pouco, antes de suspirar e continuar a estocar as mechas dele. —
Você já sente ciúme o suficiente do cabelo dos outros.
Estamos no quintal da casa dele. Se
podemos chamar isso de quintal. Ou se podemos chamar isso de casa. Está mais
para uma “casa de praia dentro de uma floresta que fica dentro de uma mansão”. Para
explicar esse fenômeno, os pais dele são estupidamente ricos. E isso favoreceu
para que aqui tivesse algumas cadeiras coloridas de praia onde o corpo desse
garoto pudesse relaxar. Como deitar, para mim, é sinônimo de literalmente
dormir, acabei sentando nesta tora de tronco a centímetros de Quintana.
O resultado foi que acabei acariciando
os cabelos dele. O rosto. O topo da cabeça.
Não é somente por só carinho de
mais-do-que-amigo. Além do fato de ser uma das áreas sensíveis dele, também é
por conta de uma espécie de afeição que tenho por cabelos de pessoas. Tenho um
encanto especial por eles. Embora eu e Quintana realmente gostemos um do outro
a ponto de recebemos o título de ‘namorados’, o motivo de ter me apaixonado por
ele não é pelo cabelo. Mas de vez em quando banco o cabeleireiro pessoal dele
quando sente necessidade.
E é por causa de cabelos que entro
ocasionalmente em confusões.
Quando havia dito “Você já sente ciúme
o suficiente do cabelo dos outros”, não estava brincando. Quintana, apesar de
ter uma aparência bem apresentável e deter quase tudo o que as pessoas
conseguem trabalhando em 100 anos, é uma pessoa um tanto impaciente quanto a
certas coisas. Ou, como poderia dizer, necessidades.
Uma delas, senão a principal, é a de manter o foco de minhas atenções em boa
parte nele.
Não é alguém que vai a uma briga
direta por causa disso ou que não saiba se controlar um pouco, mas não posso
assegurar que ele não possa ser possessivo quando os nervos pegam a paciência
dele. Algumas dessas situações terminaram conosco dividindo uma cama e um
lençol, nus depois de algumas horas de um tipo de sexo que faz muito barulho. É
engraçado que depois disso, há aquela calma que o faz parecer em paz quando
dorme.
Certas vezes, meus amigos me perguntam
“Como vocês dois ainda estão juntos?”. Não que não gostariam de nos ver felizes
ou até juntos, mas estranham que a nossa combinação de personalidades pode se
encaixar em um relacionamento estável. Até eu e Quintana não sabemos como isso trabalha.
Aos olhos dos conhecidos, ele se
parece com alguém de apetite grande quanto a afinidade e determinado em
alcançar o que quiser. O que, bom, ele é também. Quanto a mim, tento me manter
tranquilo e sou meio desajeitado, mas esforçado. Para mim, estar perto da
pessoa que gosto é o bastante. Mais do que isso, me deixa com a sensação de que
parece um sonho. Só que para ele, ‘estar perto’ pode não ser o bastante.
Talvez seja por esse cara ter esperado
por um longo tempo para me ver.
Quando era criança, lembro-me de ter
conhecido um tal de ‘Kit’. Era um garotinho que as meninas deliravam por conta
de suas roupas lembrarem uma fantasia de príncipe moderno. Como não bastasse
ter sua pequena legião de tietes, ainda havia sua tiete-mor: sua mãe. Não sei
quantas fotos essa mulher tem de todas as fases da vida dele e de todos os
amigos que o guri teve.
“A mãe dele deve ser doida”, um menino
disse, no último ano do primário, quando abríamos nossa lancheira no refeitório
espaçoso, “quem traz xícaras para a escola?”
“Ué, mas eu trago uma caneca pra a
escola”, mostrei a minha com o desenho do Homem-Aranha. “Não vejo nada demais
trazer uma ‘xícaras’ pra a escola”
“Não, você não tá entendendo”, Tomáz,
meu melhor amigo desde aquela época, moveu minha cabeça pra uma direção, “Parece
até chazinho de menina”
Não sei se seria certo ‘chazinho de
menina’. Mas parecia ser um ‘chazinho de vovó’.
Em uma mesa distante, lá ele se
encontrava. Usava uma camisa formal, uma calça formal e sapatos de couro.
Pareceria um projeto de gente grande se não fosse as cores neutras, o blazer
que geralmente deixava na cadeira e também os cabelos arrumados. Estava
sozinho, sob o holofote das garotas da sala. Havia duas xícaras em cima de um
pano rendado que fora posto ali, além de um pequeno bule e uma caixa com
biscoitos com gotas de chocolate.
Senti mal pelos outros estarem falando
coisas dele, apesar das poucas interações que ele pareceu dar outra importância
com os outros da classe. Embora indiferente, raramente saiu da educação ou de
dar um sorriso ‘cartão de visita’ pra quem o cumprimentasse. Fora isso, conhecia
uns casos de pessoas que eram criados pelos seus avós e eram absurdamente
formais com todo mundo. Então, não achei que deveria julgá-lo.
“Ah, deixa ele”, tentei convencer meu
amigo, quem esperava pela minha opinião, “E daí que ele tem xícaras e...”
“Chá”, Tomáz disse após uns segundos
farejando o ar, “e cheiro canela também”
“Tá”, eu disse após me recompor, “Mas
ele não deve mau”
“Ele não ser mau... Aí posso achar que
é verdade”,


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