A região amazônica esconde seus segredos. Por vários anos, ouve-se falar sobre várias criaturas de lendas como Iara, Boto, Cobra Grande, Curupira e tantos outros. Seria uma grande visão se alguém pudesse vê-los na vida real...
Carlota Josefina não sabe se são reais ou não. A jovem de quinze anos apenas tem certeza de algumas noções de mundo e também sobre os deveres da escola que deve fazer para poder não repetir de ano. Tem seus amigos, um garoto pelo qual possui uma queda e também aquelas pessoas com as quais não vai muito com a cara. Possui uma família que a ama e a vida parece estar indo em uma boa...
Até que sua querida avó paterna, Dona Iracema, morre aparentemente pela idade avançada. Antes disto, a mulher a entrega uma espécie de amuleto. É um muiraquitã, um objeto que as icamiabas entregavam aos índios da tribo próxima após o acasalamento, no formato de peixe. Segundo Iracema, aquilo irá proteger Carlota. Mas proteger exatamente de quê?
Falso Maniqueísmo é o primeiro livro de uma série de nome 'Nosso Verde, Seu Túmulo' que planejei há tempos (desde meus doze anos) e só ultimamente tô esboçando com a finalidade de tentar terminar para posteriormente eu publicar. No entanto, o que sempre me atrapalha é a pouca informação que eu tenho para poder esboçar cenas aparentemente realistas de aventuras dentro da mata. Quando digo informação é ir lá dentro da mata. E também pelo meu perfeccionismo de escritora, haha.
FALSO MANIQUEÍSMO - PROLOGO
Para começar a contar um pouco sobre a minha vida, eu muito bem poderia estar tentando enrolar você com um “ah, hoje é um belo dia de sábado à tarde com o céu coberto de chuva e estou tão tranquila ouvindo o som dos pingos de água contra a janela”.
— Ei, Lídia. – após minutos seguidos de um silêncio constante, levanto o meu queixo sentindo uma tensão no meu maxilar ao realizar-me do que estava acontecendo.
— O que foi, maninha? – minha irmã ergue a cabeça de seu último trabalho, seus cabelos loiros e castanhos tingidos em uma touca.
— Isso é alguma espécie de peruca? – Estreito os olhos, tentando imaginar de onde surgiram essas molas no meu cabelo e o porquê do cabo do secador estar no cinto dela. – Oi, você me disse que ia me ajudar a me arrumar para ir àquele lugar com comida japonesa. Não poderia me dizer o que é isso?
Minha irmã me encara enquanto eu a encaro de volta. Há um silêncio tenso entre nós, como se algum assassinato frio tivesse atraído nossas palavras para outro lugar.
Lídia linda suspira cansada. Se bem que, olhando bem para a face que ela mantêm com inúmeros cosméticos de lojas do tamanho do nosso apartamento, há respingos de suor saindo dos cabelos dela e a camisa parece mais grudada ao corpo.
Também, o que mais esperaria trabalhando por umas sete horas?
- Não é óbvio, queridinha? Estou tentando te consertar. – Bufa, antes de apontar ligeiro o indicador para meu nariz. – Irmã minha não tem que ficar andando por aí com calças simples, tênis velhos e com essa coisa feia aí. – então, a quem-deveria-ser-mais-madura-do-que-eu aponta para a estampa de um personagem da tevê com uma pose de luta.
Curvo mimosa meus lábios.
— Você vai querer tirar a camisa dos Power Rangers que eu custei tanto a encontrar na internet? – Retomo com o drama e faço uma falsa menção de chorar. – Ia ser uma reação legal dos meus amigos, poxa. Pense no quanto sua irmãzinha querida ia ficar feliz! – tento convencê-la com minha voz de menininha inocente.
— E estragar minha reputação de pessoa vinda de boa família? – Lídia faz um daqueles sorrisos sinistros. Ainda tento manter minha aparência persuasiva, mas toda minha aura purpurinada não produz efeito algum nela. – Nem pensar.
— Ei, - Apoio o cotovelo no braço da cadeira de couro giratória. – desde quando somos uma família normal? Me desculpa aí, mas todo mundo lá é muito doido. – Balbucio um pouco antes de erguer meus braços para me espreguiçar. – Ai, eu tô com uma preguiça... – suspiro com um sorriso, cruzando minhas pernas.
Minha irmã mais velha continua com o persistente olhar desaprovador.
— Você faz parte da família, você sabia? – ela diz em um tom sério.
Eu me dou de ombros, ainda com o sorriso manhoso no rosto.
— Eu sei, eu sei. – meneio cansada com a cabeça.
Lídia revira os olhos, não tendo mais nenhum pretexto. Ela, então, sai de perto de mim por um tempo. Não tenho mais a visão dela no espelho exceto pela cabecinha no canto. Apesar disso, tenho a impressão de que já sei o que ela pretende.
Sinto minha espinha gelar.
— Bom, se você não aceita a minha proposta-
Antes de qualquer outra palavra, um raio irrompe perto do apartamento.
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