sexta-feira, maio 24, 2013

Sorria! - Prólogo

Imagens do mangá Hana to Hoshi
Resumo:
Lílian Lobato é uma comum heroína de algum romance adolescente chick-lit - uma representação de uma garota com uma queda por algum garoto aparentemente simpático da escola e vivenciando situações comuns a jovens como conflitos com família, amigos e notas.
Isto se não fosse por alguns detalhes.
1) Sua mania excêntrica em ter afeições pelos cabelos das pessoas a ponto desta se considerar noiva das mechas encaracoladas de sua melhor amiga desde os doze anos, Rosa Alburqueque.
2) Apesar de ter uma queda por Rafael Margalhães, considerado um garoto 'bem bonitinho' na opinião de uma grande parte das meninas do Ensino Médio de sua escola, mantêm-se na sua ao considerar que este deve estar namorando a 'Princesa' do colégio, Margarida Fostes.
3) Margarida age como fosse sua frequente oposição e também a de seus amigos (principalmente Rosa) desde que as duas se conheceram aos doze anos. Por um motivo não esclarecido pela primeira, esta não quer fazer pazes com Lílian e se tornar amiga dela. Lobato não entende qual é a razão de Fostes provocá-la de forma que possa conseguir sua atenção e a irrita que não podem se entender depois de anos.
4) Alguns dos amigos, os de Lílian e os de Margarida, acreditam que a relação de amigas-inimigas entre  as duas possa ser mais do que se apresenta na superficie.
5) Em seus sonhos, Lílian encontra cenas que parecem ser de sua infância e também uma figura masculina que a diz sobre ela ter esquecido de alguém importante. Mas quem seria essa pessoa?
 


SORRIA! - PRÓLOGO



Desde que eu era menor, não compreendia a razão de meus pais me levarem de médicos após médicos. Sempre ficava sentava em alguma poltrona enquanto os doutores sorriam simpáticos e me faziam várias perguntas. Não recordo de quais foram ou como eu as respondia ou, até, o motivo de meu pai ou de minha mãe me submeterem a tal coisa.
Só lembro que, no último dia dessas consultas estranhas, mamãe me olhou reluzente, sorriu gentil e me abraçou dizendo que eu havia sido curada.
“Mas curada de quê, mamãe?”, recordo de ter questionado, pois aquilo não fazia sentido para mim e eu não sabia o que tinha de errado comigo.
Minha mãe me olhou por um momento, como entrasse em um conflito interno de responder ou não, e acabou resolvendo sorrir para dizer:
“Isso não importa mais. O que importa é que conseguimos salvá-la, minha querida filha” e ela beijou minhas bochechas repetidas vezes, abraçando-me bem forte.
Sempre acreditei que aquela cena era insignificante, pois “adultos são adultos e eles querem o bem para seus filhos, além de saberem sobre muitas coisas”.
Porém, até hoje, tenho sonhos esquisitos onde a mesma cena se repete de tantas formas diferentes. Algumas vezes, mamãe é ela mesma, outras vezes é uma borboleta, outras vezes é um anjo e muitas vezes parecia ser um monstro pavoroso. Quanto a mim, na cena, conseguia me ver como a mim mesma, ou como uma forma humana derretida, ou como uma boneca falante ou como uma flor murcha.
E, em um plano exterior à cena – onde tudo era noite, estrelas e galáxias – encontrava um garoto de minha altura e de minha idade. O mais estranho de tudo isto é ele não possuir sombra, como também se vestir como um jovem noivo. Este sorria travesso como soubesse exatamente minha confusão, sempre fazendo algum questionamento denso sobre o que a memória realmente me representava.
“Você esqueceu de alguém importante”, o rapaz me dizia com delicadeza quando ouvíamos sons de sinos de igreja, onde chorava alguma menina invisível.

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